Seja
quem for, seja por qual motivo for, errou, tem que pagar. Essa e a minha
opinião.
Meus filhos foram criados assim, eu fui criada
assim, assumindo as consequências de nossos erros. Então, por que eu deveria achar
que seria diferente para os bandidos?
Bandido
tem que pagar pelo crime que cometeu. Evidente que sim!
Ninguém
gosta de bandido. Ninguém! Só a palavra “bandido” nos causa medo. Então, o que
fazer para tirarmos eles de nossas vidas?
Antes
de tudo, devemos procurar a origem de todo mal. E se procurarmos bem iremos
encontrar o mal ainda na infância.
Crianças
nascem cada dia mais. E elas são jogadas nas ruas, na vida, por pessoas sem
preparo para serem pais. Porque também esses pais já vieram de lares sem
estrutura, sem base familiar, sem educação, sem esperança de dias melhores; o
caminho está aberto para um futuro sem futuro, sem ter nada para ganhar, sem
ter nada para perder. Então, a tendência em se tornar um criminoso é muito
grande.
Com
essa visão geral, de onde provavelmente sairão os futuros bandidos, o que
devemos fazer?
Vamos
construir mais cadeias? contratar mais policiais? fazer leis mais duras? reduzir
a idade penal? encarcerar? executar...
Fazemos
isso com os nossos filhos quando eles erram? É claro que não!
Brigamos
sim, aconselhamos sim, castigamos sim e educamos. Mas não os tratamos como animais,
não os humilhamos e nem os maltratamos.
É
bem verdade que esses marginais, aí afora, não podem ser comparados aos nossos
filhos. Que são: bem-criados, orientados, desde que nascem, do que é certo e do
que é errado. Têm bons professores, boas escolas; têm tudo que podemos dar para
que eles se tornarem boas pessoas. Para isso nos sacrificamos tanto, queremos que
eles tenham uma boa educação e um lar seguro. Daí, vem um marginal, um
bandidinho qualquer, e rouba o que custou tanto para construirmos. (Isso,
quando não leva a vida).
É
lógico que odiemos os bandidos. Não gosto de bandido, assim como todo mundo. Não
quero protegê-los, nem quero trazer nenhum deles para minha casa, eu só quero
que não venha a ter mais bandidos no futuro.
Queremos
novas leis, mais duras, mais definitivas, mais justas... Queremos mesmo?
Por
que nem todo mundo paga os erros com os mesmos castigos?
“Ah! Mas
tem bandido que entra e sai da cadeia como se estivesse passeando”. Têm sim.
Eles existem. E por que será?
Bandido
não nasce bandido. Essa gente é empurrada a cometer crimes. Porque o crime gera dinheiro; gera emprego: seguranças,
advogados, juízes... gera produtos: drogas, armas, vidros blindados, câmaras,
alarmes... gera grandes empresas! Sendo assim, existem grandes empresários
vivendo do crime, e políticos... E esses... Nunca irão presos!
“Então
o que fazer? Estamos de mãos atadas? ”
Pior que estamos. Estamos sim. E só não vê
isso quem não quer. Essa é uma selva de pedras, os selvagens estão soltos, nós
somos suas presas e é deles a vez no jogo.
Somos todos manipulados. Vendaram nossos olhos com a
venda da justiça, e só repetimos velhas ladainhas que atravessam gerações: “Bandido
bom é bandido morto”, “Tem idade para matar, mas não tem
idade para ir preso.”, “Direitos Humanos
só serve para bandido.”, “Esse povinho
defensor de bandido… Quero ver quando for assaltado”. Como que, a violência só existisse para uns!
Estamos todos no mesmo barco, e ninguém dentro do barco está no controle do timão.
Nesse
jogo, somos todos peões. Sejam os bandidos, os policiais ou os cidadãos. Somos todos
descartáveis!
Precisamos
exigir mudanças, ter atitudes que mudem de fato as nossas condições de vida, e que
melhore para todos nós. Mas para isso, só se passarmos a tratar os nossos futuros
cidadãos com respeito. Os nossos futuros policiais, professores, trabalhadores,
desempregados e bandidos... O futuro
está nas mãos de nossas crianças. Sejam elas nossas ou não, e a educação é a
nossa melhor opção. Abrindo escolas, fecham-se cadeias... Pensem nisso!
Jussara Pires
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