quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

NÃO É PELO AMOR, É PELO PRAZER



  

Ultimamente, tenho visto tantas barbaridades: pessoas queimadas, florestas dizimadas, terrorismo, homicídios, mulheres violentadas, crianças famintas... A humanidade está caminhando para extinção; evoluindo para sua própria destruição.

As pessoas não se importam com o sofrimento alheio. Muito pelo contrário. Desdenham. Tem muita gente até que sente prazer. Deve ser porque se sentem superiores ou por serem sacanas mesmo.

    
E ainda mais, quando um acéfalo agride um pobre coitado, ganha sempre seguidores retardados. Porque as pessoas já não pensam mais. Repetem gestos, repetem ações, repetem refrãos sem fundamentos.

Motivos para agredir eles não têm, mas arranjam.

Quando não é pelo cabelo encrespado é pela crença, pela origem, por ser gordo ou por não piscar com o olho esquerdo primeiro... Tanto faz!

Talvez esses senhores se sintam ameaçados. Quem sabe? Talvez, por isso que eles ataquem antes de serem atacados. Mas não! Essa necessidade de ferir outras pessoas vem de berço...  Está nas entranhas...

E nem sempre os ofensores são inteiramente brancos. E nem sempre os ofendidos são inteiramente negros. Mas no fundo há heranças.

Não importa de que lado do mundo eles estejam. E nem que o fanatismo fale mais alto. O que importa é poder pisar, manipular, humilhar... Sejam órfãos, índios, mendigos, refugiados ou negros. Todos estão condenados. O desrespeito é generalizado.

Eles enlameiam rios, contaminam a água, destroem a mata, ateiam fogo e alguns fecham os olhos; machucam uns aos outros. Eles matam!

E nunca é pelo amor: é pela cor, pela religiosidade, pelo sexualismo ou pelo simples prazer de causar dor; pelo sabor do poder... E pelo dinheiro.

    

Jussara Pires




terça-feira, 10 de novembro de 2015

O MUNDO EM UM VIDEOGAME


   Quem não gosta de um jogo? A raça humana sempre gostou. Fosse ele qual fosse: os de tabuleiros, os de azar, os da sorte... Se é que existe algum da sorte!

    Desde que o homem é homem, ele se sente inclinado a jogar. Ele joga com tudo que está a seu alcance. Em disputas de: velocidade, de elasticidade, de manobras radicais...

   Mas de uns tempos para cá, o nome do jogo mudou: chama-se rede social. Hoje em dia todo mundo joga esse jogo. O dia todo, o tempo todo!

   O pior, é que, as pessoas não percebem que estão dentro de um jogo. E que esse jogo pode ser mortal.

   Jogam com a vida e com a morte. Com a vida alheia, é claro! Sem dó e sem piedade. Transformam a internet em um videogame, onde passam eternos palhaços, sem graça. Agredindo uns aos outros, difamando, desinformando. Usam máscaras de bons moços, mas desdenham a desgraça alheia.

   Outros são verdadeiros viciados. Apertadores de botões. Ficam horas diante de uma tela vivendo em lugares distantes, sem de fato viver. Vegetam, enquanto o tempo passa, enquanto a vida vai embora.

    Para mudar isso, basta fechar a conexão cibernética e abrir a porta ou a janela para ver o mundo lá fora.

Jussara Pires




terça-feira, 8 de setembro de 2015

QUEM LUCRA COM O CRIME...


          Como obter lucro com o crime? Existem muitas maneiras. Com os contrabandos, os impostos sonegados ou o tráfico, por exemplo. Porém, o produto do crime que promove lucro quase infinito... São os presos!

         Por que manter as cadeias superlotadas?  Já pensaram nisso? Quem se beneficia diretamente com isso? A população? É claro que não! E nem os presidiários. Pois o dinheiro é gasto para manter os presos presos, não para ser distribuído entre eles.

O comércio em torno de cada preso representa um grande déficit aos cofres públicos. Dinheiro que é do povo. Mas tem quem lucre com isso. Quem?  Os fornecedores, é claro! Os fornecedores de: quentinhas, vestuários, calçados, material de limpeza, higiene, farmacêutico... E aí, lá vai!

A maioria das fornecedoras é de algum conhecido ou de um parente de político; ou dele próprio.

Cada preso vale ouro. Por isso é preciso mais bandidos. Para garantir uma boa renda aos cofres particulares. É o comércio “legal” que lucra com o comércio “ilegal”.



           Abra o olho!




Jussara Pires







segunda-feira, 29 de junho de 2015

FOI VOCÊ QUE NÃO ENTENDEU...


      Seja quem for, seja por qual motivo for, errou, tem que pagar. Essa e a minha opinião.
    Meus filhos foram criados assim, eu fui criada assim, assumindo as consequências de nossos erros. Então, por que eu deveria achar que seria diferente para os bandidos?
      Bandido tem que pagar pelo crime que cometeu. Evidente que sim!
     Ninguém gosta de bandido. Ninguém! Só a palavra “bandido” nos causa medo. Então, o que fazer para tirarmos eles de nossas vidas?
     Antes de tudo, devemos procurar a origem de todo mal. E se procurarmos bem iremos encontrar o mal ainda na infância.
     Crianças nascem cada dia mais. E elas são jogadas nas ruas, na vida, por pessoas sem preparo para serem pais. Porque também esses pais já vieram de lares sem estrutura, sem base familiar, sem educação, sem esperança de dias melhores; o caminho está aberto para um futuro sem futuro, sem ter nada para ganhar, sem ter nada para perder. Então, a tendência em se tornar um criminoso é muito grande.
     Com essa visão geral, de onde provavelmente sairão os futuros bandidos, o que devemos fazer?
   Vamos construir mais cadeias? contratar mais policiais? fazer leis mais duras? reduzir a idade penal? encarcerar? executar... 
     Fazemos isso com os nossos filhos quando eles erram? É claro que não!
    Brigamos sim, aconselhamos sim, castigamos sim e educamos. Mas não os tratamos como animais, não os humilhamos e nem os maltratamos.
    É bem verdade que esses marginais, aí afora, não podem ser comparados aos nossos filhos. Que são: bem-criados, orientados, desde que nascem, do que é certo e do que é errado. Têm bons professores, boas escolas; têm tudo que podemos dar para que eles se tornarem boas pessoas. Para isso nos sacrificamos tanto, queremos que eles tenham uma boa educação e um lar seguro. Daí, vem um marginal, um bandidinho qualquer, e rouba o que custou tanto para construirmos. (Isso, quando não leva a vida).
    É lógico que odiemos os bandidos. Não gosto de bandido, assim como todo mundo. Não quero protegê-los, nem quero trazer nenhum deles para minha casa, eu só quero que não venha a ter mais bandidos no futuro.
     Queremos novas leis, mais duras, mais definitivas, mais justas... Queremos mesmo?
     Por que nem todo mundo paga os erros com os mesmos castigos?
   “Ah!  Mas tem bandido que entra e sai da cadeia como se estivesse passeando”. Têm sim. Eles existem. E por que será?
   Bandido não nasce bandido. Essa gente é empurrada a cometer crimes.  Porque o crime gera dinheiro; gera emprego: seguranças, advogados, juízes... gera produtos: drogas, armas, vidros blindados, câmaras, alarmes... gera grandes empresas! Sendo assim, existem grandes empresários vivendo do crime, e políticos...    E esses... Nunca irão presos!
    “Então o que fazer? Estamos de mãos atadas? ”
     Pior que estamos. Estamos sim. E só não vê isso quem não quer. Essa é uma selva de pedras, os selvagens estão soltos, nós somos suas presas e é deles a vez no jogo.
    Somos todos manipulados. Vendaram nossos olhos com a venda da justiça, e só repetimos velhas ladainhas que atravessam gerações: “Bandido bom é bandido morto”, “Tem idade para matar, mas não tem idade para ir preso.”, “Direitos Humanos só serve para bandido.”, “Esse povinho defensor de bandido… Quero ver quando for assaltado”.  Como que, a violência só existisse para uns! Estamos todos no mesmo barco, e ninguém dentro do barco está no controle do timão.
    Nesse jogo, somos todos peões. Sejam os bandidos, os policiais ou os cidadãos. Somos todos descartáveis!


    Precisamos exigir mudanças, ter atitudes que mudem de fato as nossas condições de vida, e que melhore para todos nós. Mas para isso, só se passarmos a tratar os nossos futuros cidadãos com respeito. Os nossos futuros policiais, professores, trabalhadores, desempregados e bandidos...  O futuro está nas mãos de nossas crianças. Sejam elas nossas ou não, e a educação é a nossa melhor opção. Abrindo escolas, fecham-se cadeias... Pensem nisso!

Jussara Pires




sábado, 20 de junho de 2015

DEUS EXISTE... MAS DEVE ESTAR COMENDO PIPOCA!



         Ando consternada ao descaso que fazem às pessoas de baixo poder aquisitivo. Sejam os políticos quais forem: presidente, procuradores, vereadores, magistrados, deputados e outros tantos “ados”. Que tratam as pessoas pobres como escoria da nossa sociedade.

           E não somente as autoridades que por nós foram empossados, como a maioria dos nossos considerados “cidadãos de respeito”: tão bem-educados, politizados e tementes a Deus; mas só da boca pra fora.
     
        Admiro-me que essa gente venha expor sua indignação ao ver a corrupção declarada abertamente, como se isso fosse alguma novidade em nosso país; e que só agora tomássemos conhecimento disso: dessa descaração desenfreada que sempre foi marca registrada em nossa política. É até para se achar graça! E por mais que agitem-se e mobilizem-se de nada adiantará. Pois trocar políticos corruptos por outros políticos corruptos só irá passar de mãos o poder de quem irá nos ferrar.
     
         “Nos ferrar” é só um modo de dizer, porque como bem sabemos, só quem se ferra mesmo é o miserável, aqueles que passam de biscates ou das sobras que por sorte possam encontrar. Esses sim, sempre se ferram. Os outros, os que conseguem ganhar algum dinheiro por conta de sua colocação profissional, porque teve um bom estudo ou foi agraciado por ter “costas largas”, sempre conseguem dar um “jeitinho” ou outro para se beneficiar da lama da corrupção, que se espalha por entre os dedos da maioria que se considera “bom cidadão”.
       
           E ainda se dizem temente a Deus. De que Deus?

          E os poucos de nós que alegam não cometer o “crime” da corrupção, nada fazem para evitá-lo. Como por exemplo: a aprovação da “Ajuda custo a moradia”. Que absurdo! Um benefício para poucos, que já recebem um salário superfaturado ― que por sinal sai do bolso do próprio povo ― produto do suor da maioria que é obrigada a sobreviver com um salário de miséria. E esses beneficiados são os mesmos imorais que se julgam acima de qualquer suspeita ou acusações; que julgam, condenam e executam leis; comandam homens contra outros homens, manipulam opiniões; são os mesmos que se apossam do dinheiro, o qual deveria estar sendo usado para dar melhores condições ao povo; e são os mesmos que condenam esse mesmo povo, por cometer delitos, por não ter recursos para sobreviver.

E quem são os culpados dessa pouca vergonha?

Somos nós! Porque ao depararmos com tamanha imoralidade não fazemos nada para mudar. Como podemos ficar calados e de braços cruzados? É porque somos coniventes, criminosos, tanto quanto, ou até mais. Porque assistimos passivos o povo morrer: nas redes hospitalares por falta de profissionais, de equipamentos ou à espera de vagas para serem atendidos; vemos de braços cruzados aberrações sendo formadas dentro e fora das escolas, em vez de exigirmos reformas educacionais eficientes; porque aplaudimos em praça pública a quem nos rouba grandes somas e exigimos que encarcerem quem comete pequenos delitos cometidos muitas vezes por fome, miséria ou desespero.

E depois de passarem um período encarcerados saem de lá formados, dessas escolas de “monstros”, e nós sabemos que elas existem, mas fechamos os olhos por conveniência. Afinal de contas eles são ‘bandidos’. Então porque deveríamos nos importar com isso, não é mesmo?

 Nós formamos “monstros” mais que qualquer outra profissão. Saturamos o mercado com esses ‘profissionais’ capacitados, instruídos por essas eficientes instituições educacionais para a reabilitação marginal. E de lá, eles saem doutorados! Depois são reintegrados ao convívio da nossa sociedade.  É... Por mais que queiramos que eles sumam de nossas vidas um dia eles irão voltar, e voltam com ânsia para mostrar tudo o que eles aprenderam em seu ‘período educacional intensivo’.

Somos nós que aplaudimos quando um policial faz seu trabalho ― e é pra isso que eles são pagos, não é mesmo? ― que é levar cada vez mais ‘marginais’ para serem encarcerados, ao invés de estarmos evitando isso. Como? Investindo na educação.

Mas, na verdade, isso tudo não passa de uma maneira para nos ludibriar. Isso mesmo, nos ludibriar! Porque ao ficarmos ocupados com a marginalização crescente nos esquecermos de quem deveríamos realmente enjaular.
       
         Abram os olhos! Somos nós que estamos atrás das grades há muito tempo. E com o crescente aumento de ‘criminosos’ logo seremos nós que estaremos do outro lado da lei. Então, o que nos restará? Clamar por Deus?
     
       “Ele” deve estar sentado, comendo pipocas, só observando essa corja de hipócritas que só olha para seus umbigos. E deve estar esperando...  Porque um dia, alguma coisa vai ter que acontecer para mudar. O caldeirão já está borbulhando e logo ele vai transbordar. E quando isso acontecer... Eu não quero estar aqui para ver.

Adivinha quem irá se queimar?


Por: Jussara Pires