sexta-feira, 23 de novembro de 2018

OS DONOS DO MUNDO


A peça da vez ou a bola da vez, tanto faz, só vai depender do jogo a ser jogado.

A peça da vez é a pedra chave que dá a dinâmica necessária ao jogo.  É a pedra do bom jogador, daquele que observa, que trabalha, que calcula. Daquele que enxerga em cada movimento o fim da jogada.

Pobre daquele que acha que domina o jogo, pois nem sempre quem ganha é o vencedor. E o mais importante para quem joga, não é saber jogar, mas sim ludibriar. Faz parte, deixar o adversário pensar que está ganhando, quando na verdade ele está fazendo exatamente a jogada esperada.

Seja o pião ou o rei, todas as pedras podem ser a peça da vez, todas podem estar a um passo de ganhar ou perder, a depender do interesse do jogador.

 Bobos são aqueles que acham que têm as pedras certas. Mas é preciso estar sempre alerta para uma jogada estratégica. Pois quando a peça da vez é lançada, mesmo antes de começar, a partida acaba.

Portanto, se acaso ganhar, não se iluda, com certeza faz parte de uma jogada. Pois quando um jogo termina, um outro já está pronto para recomeçar. 

Quem já jogou xadrez? Quer jogar?

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

DAR O EXEMPLO É A MAIOR DE TODAS AS OUSADIAS



 É raro o aluno que deseja aprender alguma coisa. A maioria prefere encontrar pronto o que pedem para apresentar em sala de aula. Mas porque será que, de repente, toda essa geração se tornou indiferente a necessidade de aprender?

É só observar o comportamento das pessoas nas redes sociais, é como olhar por uma janela o interior de cada casa, de cada família; as pessoas passam horas vidradas nas telinhas a ver e a dizer bobagens. Não querem ler um texto, por menor que seja, quem dirá um livro. Preferem fotos ou vídeos. Porque ler custa tempo. Refletir é cansativo. É preferível absorver pedaços de tudo que se estrega mastigado. Sem precisar pensar, questionar... Tudo pronto para engolir; é como tomar uma injeção direto na veia. E com essa atitude, o que poderiam esperar de nossos filhos?

São poucos os que procuram adquirir um pouco de cultura ou conhecimento. A maioria fica semeando pé de vento e colhendo arrependimento.  Ninguém mais consegue conversar, trocar ideias. Pois todo mundo quer ser ouvido, mas ninguém quer ouvir os argumentos de ninguém.

Desconfio que a permanência de um professor, em sala de aula, logo será desnecessária; é só uma questão de tempo. Para que? Se tudo que se quer saber está à palma da mão. Afinal de contas a verdade é de quem compartilha primeiro, não é mesmo?  Mesmo sem saber se a verdade é ou não verdadeira, o importante é ser um dos primeiros a compartilhar.

Tentar dialogar em uma rede social pode se tornar palco para a ignorância, sinônimo de discórdia e de violência; mais que a própria violência das ruas, dos becos, dos guetos... É uma total falta de respeito.

Incrível! A civilidade está cada vez mais selvagem e a humanidade... Melhor seria voltarmos ao tempo das cavernas. Pois, pelo menos, naquela época, as pessoas aprendiam umas com as outras e com os erros que não queriam mais cometer. Hoje em dia, todos são autodidatas, sociopatas ou psicopatas.

Diante de tanta negatividade só nos resta dar o exemplo e esperar. Plante essa semente, leia mais, porque dar o exemplo é a única coisa que podemos fazer, e é a maior ousadia que ainda podemos cometer.

sábado, 29 de setembro de 2018

DESCARTÁVEIS

Os descartáveis aumentam a cada dia.
Tem gente que acredita que tudo vem dos mercados. E que a natureza não é importante, é tão somente uma paisagem para compor os jardins. Hoje em dia tudo ou quase tudo é industrializado, e suas embalagens são descartadas sem a preocupação das consequências disso. 
Ignorando a necessidade de manter o equilíbrio do ambiente, despejam todos os dias toneladas de lixo e dejetos, como: sacos, copos, garrafas e outros tantos materiais plásticos; são jogados aos montes por todos os pontos cruciais para a vida do planeta:  na terra, nos rios, nos lagos nos mares, nas nascentes, praias, córregos... 
 Os consumistas, de todas as idades, não se preocupam aonde vai parar o lixo que consomem. E nada tem muita durabilidade em suas mãos nervosas.  Mas o lixo industrializado passa uma eternidade para se decompor, principalmente o plástico. E com tanto lixo, aumenta a proliferação de animais perniciosos e de agentes tóxicos que contaminam o solo, a água e o ar; acabam envenenando a flora e a fauna. 
Mas isso não é novidade, é bem verdade! Quantos já falaram da necessidade de reverter esse quadro trágico que vivemos? Mas ninguém tem interesse em reverter isso, não é mesmo? Sejam os grandes empresários, que faturam montanhas de dinheiro; sejam as autoridades, que enchem os bolsos de propinas; ou sejam os consumistas, com sua sede de comprar, comprar, comprar... Tapam os olhos por ignorância ou por pouco caso, mas o importante é continuar a obter objetos muitas vezes desnecessários.
Li outro dia algo interessante sobre uma arte milenar com cerâmicas quebradas; para não jogarem no lixo as cerâmicas quebradas, costumavam ser coladas com uma fina camada de ouro. E assim, as transformavam em uma peça única, uma peça preciosa. Eu achei isso sensacional! Pois, além de não descartarem de um objeto antigo, davam a ele um valor inestimável, um valor histórico.  Pois toda peça tem uma história a ser contada.
Os homens, infelizmente, estão se tornando como a cerâmica quebrada, mas que não pode ser consertada. Pois a maioria deles já perdeu seus valores morais e ou intelectuais. Eles contaminam tudo que tocam, tudo que querem, tudo que veem. Estão se tornando lixo, o pior lixo que um planeta poderia ter, e vão se juntando aos outros lixos. Todos descartáveis.
 E com tanto lixo, o que será do nosso planeta?



    segunda-feira, 17 de setembro de 2018

    QUEM PUXA O GATILHO?




    Atrás de uma arma sempre há um atirador. Mas quem é o primeiro a puxar o gatilho?

    A nossa sociedade é montada como uma pirâmide, onde a elite está no topo e o povo está na casta mais baixa. E a história conta que, desde muito tempo, a casta mais alta mantém controlada a extensa casta baixa; por coação. E, é através das castas medianas que garante-se que isso aconteça.  Sempre foi assim e nunca ninguém conseguiu mudar.

    Um cachorro, por exemplo, quando doutrinado para ser um bom cão de guarda, é domado por instrutores para atender a certos comandos. E por mais valente que seja o cão, ele sempre irá obedecer na hora de parar; e por mais sereno que seja o cão, ele sempre irá obedecer na hora de atacar.  Assim é o homem das castas, um cão treinado para obedecer; que ladra, ladra mais não morde ou simplesmente morde na hora que não ladra.  Porque sua coleira é ajustada para mantê-lo sempre à espera da palavra certa. Sem isso, ele não consegue fazer nada.

    Doutrinado, domado, mesmo sem saber, o homem se torna fera. E como fera, ele é a arma mais letal entre todas as armas; não porque ele possa matar, mas porque ele pode ser manipulado ou, pode manipular outras feras a agirem como ele na hora certa.

    Mas na maioria das vezes, o verdadeiro culpado de puxar o gatilho, não é o criminoso que está atrás da arma; ele é só mais uma vítima, não passa de mais uma carta marcada para encobrir quem está dando as cartas. 

    E o comando desce como cascata, do topo da pirâmide, do primeiro até o último atirador.  E apesar das castas mais altas se considerarem superiores às outras castas, elas também não passam de feras necessárias à sua causa; hora arma, hora atirador.  E, sem esquecer que as armas se tornam descartáveis quando perdem suas balas. Então, independente de qual casta pertença, sendo a arma ou o atirador, fará o que for designado a fazer, dependendo só do comando que irá receber.

    Concluindo: atrás de uma arma sempre há um atirador, autorizado ou não a matar. Mas, o primeiro a apertar gatilho, quem será? Quem comanda a esfera? Com certeza eu não sou.

     E você, fera, quem é? É a arma ou o dedo do atirador?

    sexta-feira, 17 de agosto de 2018

    SONHOS




    Qual é o seu maior sonho, pode nos contar? Eu já tive tantos em minha vida, que não sei dizer qual deles mais gostaria de realizar.  Só sei que, todas às vezes que concretizo um, outro logo surge em seu  lugar, e recomeço a minha busca para tentar realiza-lo.
    Quem nunca sonhou?
    Quando criança, as pessoas têm os sonhos mais loucos que não podem ser confundidos com a realidade. Eu mesma já sonhei voando, surfando nas nuvens, como se fossem ondas no céu! Poético, não? Mas, à medida que as pessoas crescem os seus sonhos vão se tornando cada vez mais perto do real, do necessário. Porém, nem sempre são realizados.
    Sonhar em ganhar na loteria, ou ter aquele carro do ano, ou viajar ao redor do mundo, comprar a casa própria...  Quem nunca sonhou? Ser um herói, ser reconhecido no seu trabalho! Quem nunca sonhou?
    Às vezes os sonhos são tão extraordinários que se tem a certeza que nunca serão realizados; Apesar de saber disso, mesmo assim, eles dão uma satisfação, uma sensação de um bem estar; uma realização pessoal que nunca se conseguiria de outra forma.
    Mas é claro que é preciso saber separar o joio do trigo; quando termina os sonhos e quando começa a realidade. Pois se não souber como separar isso, nunca se vivera de verdade.
    Para realizar um sonho é preciso em primeiro lugar, dar limites:  sonhar com coisas que estejam ao alcance das possibilidades. Mesmo que eles parecem difíceis e até mesmo impossíveis, pode-se encontrar um meio de concretiza-los.
    Então, depois de determinar quais os objetivos, deve-se traçar planos para tentar executá-los.  Porque sonhos não caem do céu; para realiza-los é preciso trabalhar duro! E você nunca, nunca deve desistir de tentar, senão eles se tornam extraordinários.
    Eles transformam as pessoas, porque é através deles que se consegue curar feridas, encontrar um amor verdadeiro; e eles têm a capacidade de transportar as pessoas para lugares distantes, refúgios secretos onde se encontra a paz. Mas também, é através deles que se consegue: traçar planos infalíveis, ser invencíveis e viver felizes para sempre!
    O fato é que, os sonhos são necessário para que as pessoas tentem um mundo melhor. Realizados ou não, eles são o combustível que dá a força para continuar.  Sem eles as pessoas se tornam vazias, amargas, desiludida, insatisfeitas. O sonho é chama, e sem a chama a brasa apaga. Sonhar é ter esperança! Por isso é preciso sonhar!
    Qual é mesmo o seu maior sonho?  Pode nos contar?


    segunda-feira, 13 de agosto de 2018

    INDOLENTES E MALANDROS



    Está provado, todo mundo sabe, que o índio brasileiro é indolente e os afrodescendentes são malandros por natureza; qual a novidade?
    Eu mesma sou indolente e malandra, não nego; herdei de meus ancestrais indígenas e africanos; com orgulho!
    Desde a invasão das Américas, os índios foram considerados preguiçosos e vadios, porque não aceitavam trabalhar para os colonos, nem debaixo de chibatadas. Com isso, “os homens de bem”, foram buscar os africanos, que aliás, também foram considerados preguiçosos, mas diferentemente dos índios, estavam longe de casa e precisaram da “malandragem” para sobreviver. 
     Os colonos, todos, homens íntegros, brancos e dispostos ao trabalho, mantinham feitores e capitães do mato para que os preguiçosos e malandros fizessem o trabalho deles: explorar e roubar as riquezas naturais da terra alheia; Inclusive, fazem isso até hoje.
    Eles dizimaram tribos, sequestraram crianças e estupraram mulheres ― que suicidavam-se, ao serem submetidas ao trabalho escravo; índias indolentes!
      Por isso até hoje as características de indolência e malandragem recaem a todos que não se curvam aos mandos e desmandos dos “capitães do mato”, que, naquela época, nada mais eram que os filhos dos senhores e feitores brancos com as africanas e as índias sequestradas e escravizadas; ou seja, filhos de indolentes e malandros.
     Assim foi formada a nossa nação, de negros malandros, índios indolentes e “capitães do mato” ― mestiços, fdp, que não olham o rabo!

    quinta-feira, 17 de maio de 2018

    GLÓRIAS NÃO SÃO VITÓRIAS

    O homem está propício desde o nascimento a aceitar desafios; como: o primeiro choro, a primeira mama, o primeiro passo, a primeira palavra...  E desde então desafia tudo que estiver ao seu alcance; e até mesmo o que não está. E quando não consegue obter a vitória, se torna obcecado, tornando-se perigoso, capaz de passar por cima de qualquer um para obter a glória.  A glória para ostentar.
    Não é vergonha querer vencer, muito pelo contrário, é da natureza humana estar sempre tentando ultrapassar seus limites, porque precisamos de incentivo para viver. Porque o homem que não aceita desafios não vive; vegeta, literalmente.

    Porém, não precisamos pisar em ninguém para sairmos vitoriosos. Porque na verdade, nem precisamos de concorrentes para vencermos ou perdermos, pois o nosso maior adversário somos nós mesmos.

     Não são as glórias penduradas no peito que nos fazem melhores do que somos. Para isso, precisamos quebrar barreiras, ultrapassar limites para alcançar metas. Pois só nos tornamos vencedores quando aceitamos desafios e não desistimos de tentar. E vencemos todas as vezes que enfrentamos nossos medos, nossas inseguranças, nossas incertezas; e nos tornamos mais confiantes. Mesmo sem medalhas ou troféus.

     Nunca devemos ficar de braços cruzados esperando que a vitória nos seja dada de mão beijada, porque o que não conseguimos conquistar com o suor é glória e não vitória; apenas uma prova de que, em um determinado momento, alguém perdeu para outro ganhar. Mas nem sempre de maneira justa, nem sempre merecida.

     E com certeza, sempre existirá quem esteja disposto a tomar o que foi conquistado por vaidade.  Mas nunca ninguém poderá tomar as vitórias que conquistamos desafiando a nós mesmos. Essas, são verdadeira e estarão para sempre guardadas dentro do peito e em nossas memórias.  

    segunda-feira, 23 de abril de 2018

    EMBRULHOS

    Quanta energia é gasta para transformar a matéria em felicidade, não é? É uma loucura essa necessidade de possuir coisas, cada vez mais caras e tão desnecessárias. Estamos esquecemos os verdadeiros valores.
    E muitas vezes damos mais valor às coisas do que demostrar nossos sentimentos. Algumas pessoas costumam se deixar encantar com o preço dos presentes do que com o conteúdo, já perceberam isso? O ato de presentear ― seja no Natal, dia das crianças ou na Páscoa ― virou uma corrida desenfreada para determinar quem pode mais, quem é mais importante, quem tem mais condições.
    E quando abrimos um pacote grande, os nossos olhos brilham com as possibilidades; mil coisas passam por nossas cabeças antes mesmo de desembrulhar. E nem sempre o conteúdo satisfaz as nossas expectativas. Porque os presentes nos enchem os olhos, mas não a alma. É bem verdade que, às vezes, o dinheiro ajuda a comprar ilusões. Mas ilusões são como bolhas de sabão cheias de fumaça, uma hora estouram e a fumaça escapa. 
     Eu mesma me contento com as caixas, adoro as caixas. E nem precisa ser uma grande caixa, mas uma bem embrulhada. Vai ver que é por isso que diz o ditado: “esse é fácil de se embrulhar”. Eu confesso, sou fácil de ser embrulhada. Não preciso de um presente grande ou caro para me agradar; pode ser um alfinete.  Porque o verdadeiro conteúdo está por trás do ato de embrulhar. 

    Muitas vezes esquecemos o verdadeiro significado da mensagem ao presentear: carinho, amor e esperança. Pois a verdadeira felicidade não se compra... Mas pode ser embrulhada

    quarta-feira, 28 de março de 2018

    AS PORTAS

    A nossa mente é como uma porta, e pode estar fechada ou aberta. E quando ela está fechada nada muda, tudo continua sempre igual.
    A nossa realidade é conviver com a violência e achar que é normal; são gangues que atacam gangues; policiais que morrem na troca de tiros; criminosos que morrem na disputa dos pontos de drogas; educadores que são enquadrados como bandidos e infinitos assassinatos; ativistas morrem como ratos ― recorrente desde Chico Mendes ― e eu pergunto: quem é a vítima? Contrabandistas, advogados, sacoleiros, juízes, ambulantes; todos estes são criminosos ou sobreviventes? São bandidos do colarinho branco ou de colarinho encardido? São culpados? São inocentes? Quem é o quê e quem é quem em meio a tudo isso?
    O fato é que: argumentos, por mais acertados que sejam, ricocheteiam ou deslizam por sobre o tumor maligno da ignorância, pois os politizados ou policiados, de pai para filho, desde a hora em que nascem, são condicionados a acreditar que não há outra forma de pensar. São formados antes mesmo de irem para as escolas, com base na realidade cristalizada de seus antepassados. 

    Claro que tudo isso tem um objetivo; imobilizar as massas. E todas as vezes que alguém consegue direcionar o povo aos fatos que o oprimem, que o massacram, isso provoca incômodos que precisam ser abafados; e como desprezíveis baratas são eliminados. Pois nenhum argumento pode ser contra um coquetel de ideias prontas.

    Desmoralizar a vítima e desculpar o culpado. Torcer a história e confundir o povo.  Isso é fato! O povo sempre é enganado. E o povo enganado é capaz de condenar a ele mesmo. Essa sempre foi a estratégia usada nessa batalha: confundir, enganar e continuar a jogar; pois eles continuam ganhando. 

    Assim acontece com a maioria das pessoas que não estão dispostas a reverem as próprias certezas; pois quando o nosso espaço mental já está ocupado e cristalizado, não entra mais nada. E por mais argumentos que se tenha, por mais fatos que se mostre, nunca conseguirá trocar ideias com quem não está disposto a ouvir, nunca conseguirá ultrapassar a porta, porque os argumentos de um ser, totalmente doutrinado, não passam de uma porta fechada. Abra essa porta!

    sexta-feira, 23 de março de 2018

    PARA MARIA E JOÃO

    Quem já leu a crônica Para Maria da Graça, de Paulo Mendes Campos? Ou o romance Adultério, de Paulo Coelho? Ou quem sabe, o romance A Maçã no Escuro, de Clarice Lispector?  Esses são alguns textos que estimulam o raciocínio e a reflexão; pena que hoje em dia as pessoas não gostem de ler, nem de aprender e muito menos de refletir. A maioria prefere comprar ideias prontas, já mastigadas, elaboradas para serem digeridas e nunca degustadas; pois elas têm preguiça até de pensar. 
    Outro dia eu li uma frase interessante: “A escola finge ensinar e as pessoas fingem aprender.” E isso é uma grande verdade, infelizmente! E não faz muito tempo, eu comentava exatamente isso com um amigo. Por que as pessoas já não se esforçam para aprender? Por quê? Bem, chegamos a uma conclusão: porque não precisam. Ninguém precisa aprender mais nada, pois elas já nascem com a fonte de todo saber na palma das mãos. Então para que aprender, não é mesmo? 
    Já não se vê pais preocupados em ensinar a seus filhos o que eles aprenderam com seus ancestrais ― o conhecimento e a cultura estão se perdendo ―, porque hoje tudo que se quer saber encontra-se na internet, basta se conectar.
    Muitos dizem que isso é evolução, que a tecnologia veio para facilitar, informar com muito mais rapidez. E que as crianças estão mais espertas, mais inteligentes com essa nova perspectiva de aprendizado a que estão expostas desde o momento em que nascem. Será?
    Sabem o que eu acho? Que estamos nos tornando vítimas de nossa inércia, de nossa ignorância e de nosso acomodamento. Pois temos em nossas mãos acesso ao conhecimento através de um toque. E nunca a humanidade teve tanta facilidade para aprender, porém, incapacitados para compreender. Pois, de nada adianta ter ao nosso alcance todo o conhecimento do mundo ou do universo, se não abrimos nossas mentes para absorvê-lo. E isso seria possível se estimulássemos os nossos neurônios, com uma boa leitura ― por exemplo ― o que aumentaria, consideravelmente, a nossa capacidade de absorver. Mas ao invés disso, perdemos tempo acessado inutilidades que não nos acrescentam nada; muito pelo contrário; muitas pessoas já não são capazes de analisar ou dar soluções para as coisas mais simples sem consultar o pai Google. Imaginem as mais intricadas! Então, o que estamos nos tornando? Escravos da tecnologia? 
    Exatamente! A diferença é que antigamente, os escravos tinham seus membros atrelados a grilhões e seus corpos eram açoitados com chicotes, até que obedecessem aos seus feitores ou aos seus senhores. Atualmente, os escravos são atrelados às máquinas e suas mentes são açoitadas constantemente com futilidades, até que se tornem impotentes, frágeis e fáceis de manipular. 
    Por isso, caro leitor, que eu digo: abra seus olhos e não encha sua mente com inutilidades, pois elas só servem para ocupar o seu HD com lixo, e deixá-lo mais lento. Seja antenado, mas acrescente aos seus arquivos, dados úteis; fatos; conhecimentos. Leia mais, é uma das maneiras mais divertidas para aprender; não doí e ajuda a refletir. E isso, caro leitor, é para que não venham a se tornar mais uma ‘Maria vai com as outras’ ou um ‘João ninguém’.

    Jussara Pires

    domingo, 18 de março de 2018

    CARA-METADE




    Desde que o mundo é mundo, vivemos à procura de uma cara-metade para nos completar. Outro dia, ao ver uma laranja cortada ao meio, refleti a esse respeito.

    Você já tentou unir dois lados de uma mesma laranja? Pois bem, eu tentei, mas por mais que eu tentasse unir as duas metades, elas não se uniam mais. Então cheguei à conclusão de que, se duas metades, pertencentes a uma mesma laranja, não se unem depois de separadas, como podemos esperar que duas metades, que nunca foram uma só, venham a se completar?

    A grande verdade é que não precisamos procurar a nossa metade ou criar expectativa de que alguém venha a nos completar, ou dizer o que faremos de nós mesmos, porque já nascemos inteiros. O que precisamos é nos descobrir, saber quem somos e o que queremos, precisamos existir e não coexistir; precisamos ser concretos e não a sombra ou o reflexo de outra pessoa.

    Portanto, antes de se relacionar com alguém ― seja com companheiro, filho, pai, amigo ou irmão ― encontre a si mesmo. Porque pessoas pela metade, tendem a ser como parasitas que sugam, drenam e deixam para trás apenas cascas vazias. Acredito que não devemos ver um relacionamento como sendo uma tábua de salvação, uma muleta e tampouco, como uma desculpa forçada para justificar a nossa escravidão.

    Afinal de contas, do fundo de minha alma, entendo que, se é que somos como as laranjas, somos inteiros sempre, mesmo depois de cortados, pois uma laranja, não perde a sua essência, jamais.

    Seja íntegro, seja inteiro.

    Seja como uma laranja.



    Jussara Pires