quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

E SE FOSSE VOCÊ A MÃE?


Engraçado como as notícias passam desapercebidas. E como os valores mudam, a depender de quem esteja na mira da mídia. Porque até para ser vítima é preciso estar dentro de um padrão, dentro de um contexto.   

Confuso? Não, não é não.

Em uma sociedade em que as leis têm dois pesos, ou “enes” pesos, isso pode ser bem normal. Aí, vai depender do caso. Se a vítima tem cara de vítima ou se o acusado tem cara de acusado. Por isso, existem buracos nas leis. Alternativas para modificar um veredito.

No caso da criança degolada, se o acusado fosse um índio e se a criança fosse um “não índio”, o acusado não teria nem direito a ser julgado. Pois o passado o condenaria. E eu não estou falando de um passado de crimes, mas sim, de sua origem.  

Você acha que não? Então me diga, por que não fizeram manifestações para repudiar o ocorrido? Meu Deus! Uma criança foi degolada!  Quem somos nós? Selvagens?

Os índios continuam sofrendo a ação dos invasores, continuam sendo massacrados pela ganância, continuam desprezados pela ignorância e continuam morrendo em uma guerra fria.

Deveríamos parar de agir como escravos de conceitos velhos e manipuladores. Quantos Vitor mais precisam morrer para que enxerguemos isso?

E se a criança degolada fosse o seu filho. E se ela estivesse em seu colo na hora em que fosse assassinada? Como você se sentiria, hein, mãe?

Eu nem peço para que seja feita a justiça. Porque teriam que degolar muitas crianças, muitos corpos teriam que ser queimados e muito sangue teria que ser derramado. Para compensar cada índio que foi morto injustamente.

Os índios não são nossos inimigos. Eles têm todo o direito de estar aqui: na mata, na cidade ou em qualquer lugar que eles queiram. Porque eles são os verdadeiros donos dessa terra. Alguma dúvida disso? Eles não são só os donos do lugar em que vivemos, mas também do alimento que comemos, da água que bebemos, da mata que destruímos...  

Nós somos os responsáveis pela morte do pequeno Vitor e de outros tantos que morreram antes dele. A morte desta criança foi uma covardia, um absurdo, uma vergonha...  E dizer o quanto fico triste sobre tudo isso, é pouco.

O pequeno Vitor infelizmente se foi. Mas existem outros que ainda podem ser salvos.


Não se omita. Levante sua voz!



Jussara Pires  






2 comentários:

  1. Boa palavras... Muitos desta sociedade, até do alto escalão nos departamentos públicos não dão tantas importâncias quando se trata de um simples nativo, Valeu Jussara... bom dia... eu aqui do interior de São Paulo.

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    1. Grata, Antonio Herrero, pelo comentário. Grande verdade, os nativos são invisíveis aos olhos dos orgãos públicos e de todos. Que bom que gostou do texto!

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